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Sab, 10/11/07

Correio Êxito
2007-11-10


Da Weasel
Os melhores amigos da 'Doninha'


Correm o país de lés-a-lés, dormem ao relento, empenham a pachorra dos pais e a mesada para seguir a digressão da sua banda de eleição, os Da Weasel.
Em jeito de agradecimento, esta noite, no concerto do Pavilhão Atlântico estes fãs incondicionais terão direito a um lugar muito especial no ‘snake pit’ em forma de W.


A paixão é cega mas vê dezenas de espectáculos por ano e nunca se cansa. Não conhece distâncias geográficas nem gerações. Torra a paciência dos pais e as mesadas. Ser fã é isso mesmo: amor incondicional. Modo de ser diferente numa geração onde já poucos vestem a camisola ou abdicam do conforto do sofá e da internet para ir suar as estopinhas na fila da frente de um concerto. Mas à custa dessa dedicação, fãs dos Da Weasel ganharam um lugar no ‘ snake pit’ em forma de W no espectáculo que a banda dá esta noite no Pavilhão Atlântico.

Hoje celebra-se o ‘pavimento’. A palavra que para os ‘comuns mortais’ não passa do chão que pisam, nos dialectos inventados pelos fãs dos Da Weasel (que vão muito para além da ternura!) é a chave secreta para o dia ‘D’, o do 13.º encontro de fãs da ‘doninha’.

“Damos um nome a cada um dos encontros. No início não havia regra, mas quando reparámos acabavam todos em ‘mento’: ‘acampamento’, ‘ajuntamento’... a coincidência passou a ser tradição. O concerto no Pavilhão Atlântico ficou ‘pavimento’”, revela José Duarte. O consultor imobiliário de 25 anos vive em Grândola e não tem dúvidas de que os Da Weasel lhe mudaram “a vida”.

A ‘panca’ começou aos 15 anos, quando viu pela primeira vez a banda actuar numa Festa da Juventude em Santarém: “Gostei desde o primeiro minuto. Da música, do ritmo, mas também da movimentação em redor do palco, dos bastidores. E sobretudo porque ir assiduamente aos concertos permitiu-me conhecer muitas cidades, percorrer o País todo, fazer amigos. Os Da Weasel abriram-me horizontes. Sem eles a minha vida era muito diferente. Cheguei a dormir na rua para os ver”, diz o jovem a quem coube a tarefa de preparar “uma t-shirt e uma pulseira” para assinalar o ‘pavimento’ entre os fãs.

Encontrar os mais fiéis seguidores do grupo não é difícil. Há muito que a banda e a sua equipa os topa de ginjeira! São quase sempre os mesmos com cartazes e bandeiras em punho. Encontram-nos por todo o País e já pertencem à ‘família’ Da Weasel. À velocidade de um telefonema, disponibilizam-se de imediato para revelar os contornos da sua paixão ‘assolapada’.

“Eles são sempre muito amáveis com os fãs”, diz Cátia Carrola, que concilia o curso de Arquitectura na Universidade da Covilhã com intensa actividade em prol do grupo. Agora, por exemplo, organizou as excursões vindas do Porto. “Faço-o pelos amigos que vieram com a banda. Falamos todos os dias na net ou ao telefone, preocupamo-nos verdadeiramente uns com os outros”, diz quem já viu mais de 50 concertos da banda num único ano. “Não me farto. Os concertos são sempre diferentes”, garante. Pelos Da Weasel, fez a maior loucura da sua vida: andou 22 horas consecutivas em autocarro, para os ir ver ao Olympia de Paris.

E não está sozinha. Duda Santos, 16 anos, natural de São Martinho do Porto mas aluna na escola de artes António Arroio em Lisboa, também fez parte da lista de ‘loucos’. “E ainda por cima arrastei a minha tia e a minha mãe também para Paris. Mas foi fantástico. Até demos uma voltinha antes de irmos outra vez para a estação”, recorda.

Rufina Pires, por seu turno, atravessa sempre o mar para ver a sua banda de eleição movida pela ‘Força’ – título da sua canção favorita. Mora na Madeira e já chegou a ficar um mês inteiro no continente só para poder seguir a digressão da banda: “É preciso juntar dinheiro, claro. Mas conto com os outros fãs, que chegam a emprestar um tecto para ficar”...

Quando prestou atenção pela primeira vez às letras das canções dos Da Weasel, João Oliveira, 24 anos, ‘veterano’ no fórum on-line dos Da Weasel, sentiu como que uma “facada”. Dez anos volvidos, continua a sentir identificação com os versos de Pacman. “Foi a cena das letras, da revolta que acompanham o meu crescimento”, afiança. Diz que os Da Weasel mudaram, conforme acrescentaram outras gerações de fãs, mais novos. João prefere o apelo dos temas “antiguinhos” e desta noite só espera o melhor: “Uma grande produção num concerto fora do normal...”


"AJUDARAM-ME NOS MAUS MOMENTOS"

“Sempre vivi com música e nunca cedi a preconceitos. Ouço do metal ao hip hop, do rock ao trance. Da Weasel.... é impossível de definir. Têm o som deles, que em muitos momentos da minha vida fizeram e fazem sentido, ajudam, batem lá dentro. Depois a ‘doninha’ existe para feder e incomodar e isso agrada-me”, diz André Maciel, que vive em Viana de Castelo, onde é auxiliar industrial. De lá, já saiu 35 vezes para os ver ao vivo, o que o levou inclusivamente a fazer um ‘road book’ que pode ser lido em http://bombokka.blogspot.com . Os Da Weasel acompanham-no há 11 anos, altura em que a “atitude e o power” do grupo o conquistaram. Entretanto, André não se inibe em espalhar a mensagem: “O meu irmão tinha 4 anos quando comecei a ouvir Da Weasel e agora até já faz estrada para os ver. No Pavilhão Atlântico lá estará comigo. No ‘pitt’ vai ser engraçado, pois parece quase que estamos no meio do palco...”


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